A prova das regras de governo e navegação não cobra número de artigo, cobra ordem de ação: você viu, avaliou e deu passagem pelo lado certo. Esta página põe a teoria na mesma ordem em que as perguntas aparecem e dá a cada seção uma mnemônica que resiste ao nervosismo.
As seções vão do geral ao particular. Primeiro os deveres que valem sempre: vigilância, velocidade segura e risco de abalroamento. Depois a escada de prioridades e as três geometrias de encontro. Em seguida luzes, marcas e sinais, que é como se lê a situação à noite e no nevoeiro. No fim, os números que pedem de cor.
A segunda metade da página é o que as provas de Mestre-Amador e Capitão-Amador cobram além das regras de governo e navegação: balizamento IALA, leitura de um farol na carta, posição e correção da agulha, marés, tempo e rádio. Tudo com desenhos, porque boias e frentes ficam na memória pelos olhos, não por uma lista.
Olhar, avaliar, agir
As primeiras regras da parte B valem sempre e para qualquer embarcação: não falam de hierarquia, falam de ver o perigo a tempo.
Vigilância e velocidade segura
Regra 5: vigilância permanente pela vista e pela audição e por todos os meios disponíveis, radar incluído. Celular, piloto automático e conversa no cockpit não são vigilância.
Regra 6: velocidade segura é aquela com que você consegue parar na distância exigida pelas circunstâncias. Ela depende da visibilidade, da densidade do tráfego, das qualidades de manobra, das luzes de fundo e da costa, do estado do mar e do vento, e do calado em relação à profundidade.
Existe risco de abalroamento
Regra 7: o sinal principal é a marcação constante com distância diminuindo. Se a direção do outro navio não muda e ele cresce, vocês vão para o mesmo ponto.
Marcação que varia não livra ninguém: com navio muito grande, com reboque e a curta distância o risco continua. Informação escassa também conta como risco: na dúvida, o risco existe.
Como mudar de rumo
Regra 8: a manobra é feita a tempo, é ampla e tem de ser percebida de fora, inclusive no radar. Uma série de pequenas guinadas é proibida: ninguém entende.
Mudança de rumo se lê melhor que mudança de velocidade. Passe a distância segura e confira o resultado até o outro navio ficar passado e safo. Se preciso, reduza ou pare as máquinas: parar também é manobrar.
A escada de prioridades
A mesma ordem em qualquer prova: no topo está aquele a quem todos dão passagem.
Cada um dá passagem a todos que estão acima. Veleiro a motor, lancha e jet ski são embarcação a motor, ou seja o degrau de baixo: dão passagem a quase todos.
O hidroavião e o veículo de efeito de solo mantêm-se bem afastados de todos e não atrapalham ninguém, mas, havendo risco de abalroamento, cumprem as regras desta parte.
Uma ressalva sobre o terceiro degrau: o navio restrito pelo seu calado está na escada pelo sentido, mas a regra 18 (d) não pede aos outros que deem passagem e sim que não atrapalhem a sua passagem em segurança. A prova adora essa diferença.
O que não dá prioridade
Nem tamanho, nem bandeira, nem preço do barco, nem costume local. A vela perde o degrau alto no instante em que o motor liga: com motor em funcionamento um veleiro é embarcação a motor e de dia deve içar um cone com o vértice para baixo.
Navio empenhado na pesca significa aparelho que restringe a manobra. Uma vara de pesca no cockpit não transforma o veleiro em pesqueiro.
As três situações de encontro
Diante da figura o examinador espera uma de três palavras: rumos opostos, cruzamento ou alcance. A palavra decide a resposta.
Rumos opostos, regra 14
Sinal noturno: você vê as duas luzes de bordo do outro e as luzes de mastro alinhadas. De dia: ele está pela proa ou quase pela proa.
Os dois guinam para boreste e passam bombordo com bombordo. A obrigação é mútua, esperar a manobra alheia não vale. Na dúvida sobre ser rumo oposto, aja como se fosse.
Cruzamento, regra 15
Dá passagem quem tem o outro por boreste. À noite a cor decide: você vê a luz vermelha dele, então você dá passagem.
A regra manda evitar cortar a proa do outro navio quando as circunstâncias permitem, por isso quem dá passagem guina para boreste e passa pela popa. A regra 15 não ordena por si a guinada para boreste: isso vem da regra 8 (manobra perceptível) e da regra 17, que desaconselha guinar para bombordo por navio que está a bombordo.
Alcance, regra 13
Alcance é aproximar-se de direção superior a 22,5 graus a ré do través. À noite a verificação é simples: você vê só a luz de alcançado e nenhuma luz de bordo.
Quem alcança mantém-se afastado até ficar definitivamente passado e safo. Mudança posterior da marcação não o transforma em navio que cruza.
Quem mantém o rumo, regras 16 e 17
Quem dá passagem age cedo e de forma ampla (16). Quem tem preferência mantém rumo e velocidade (17) para que as duas manobras não se anulem.
Assim que fica claro que o outro não age, o navio com preferência pode manobrar sozinho, e quando o abalroamento já não pode ser evitado só pela manobra do outro, deve. Uma embarcação a motor não deve guinar para bombordo por causa de navio que está a bombordo dela.
Luzes: do que um navio é feito à noite
Só existem seis tipos de luz. Todo o resto são combinações, e a figura se lê por setores.
Os seis tijolos
- Luz de mastro: branca, 225 graus, para vante e 22,5 graus a ré do través de cada bordo.
- Luzes de bordo: verde a boreste, vermelha a bombordo, 112,5 graus cada uma.
- Luz de alcançado: branca, 135 graus, para ré.
- Luz de reboque: amarela, os mesmos 135 graus da luz de alcançado, colocada por cima dela.
- Luz visível em todo o horizonte: 360 graus.
- Luz de lampejos: em todo o horizonte, pelo menos 120 lampejos por minuto.
Embarcação a motor em movimento
Luz de mastro de vante, segunda luz de mastro a ré e mais alta, luzes de bordo e luz de alcançado. Navio com menos de 50 metros pode dispensar a segunda, por isso duas brancas na vertical sugerem navio grande.
Embarcação com menos de 12 metros pode exibir uma branca em todo o horizonte e as de bordo no lugar da de mastro e da de alcançado. Abaixo de 7 metros e 7 nós basta uma branca em todo o horizonte, mais as de bordo se for possível.
Como ler a figura
Sempre na mesma ordem: primeiro as cores, depois as brancas, depois a posição delas em altura.
- Verde e vermelha juntas: ele vem na sua direção.
- Só verde: o bordo de boreste dele, cruza da esquerda para a direita, ele dá passagem.
- Só vermelha: o bordo de bombordo dele, cruza da direita para a esquerda, você dá passagem.
- Só branca: você provavelmente está no setor de popa dele, ou seja, está alcançando.
Pares de luzes em todo o horizonte: quem não se incomoda
A prova adora pares e trios verticais de luzes em todo o horizonte, e a ordem das cores inverte o sentido.
| O que você vê | Quem é | Regra |
|---|---|---|
| Vermelha sobre vermelha | Sem governo | 27 (a) |
| Vermelha, branca, vermelha | Capacidade de manobra restrita | 27 (b) |
| Três vermelhas em linha | Restrito pelo seu calado | 28 |
| Verde sobre branca | Pesca de arrasto | 26 (b) |
| Vermelha sobre branca | Pesca que não é arrasto | 26 (c) |
| Branca sobre vermelha | Navio de praticagem em serviço | 29 (a) |
| Vermelha sobre verde | Veleiro, luzes opcionais | 25 (c) |
| Uma branca em todo o horizonte | Fundeado, menos de 50 m | 30 (b) |
| Luzes de fundeio mais duas vermelhas em todo o horizonte | Encalhado (de dia três balões) | 30 (d) |
Uma luz amarela de lampejos em todo o horizonte, somada ao conjunto normal, é veículo de colchão de ar em modo não deslocante: o que a separa do outro amarelo é o piscar, não a altura. Uma amarela fixa acima da luz de alcançado de um rebocador é a luz de reboque, e uma vermelha de lampejos de grande intensidade no topo é veículo de efeito de solo ao decolar, ao pousar e em voo próximo à superfície.
Marcas diurnas
De dia as luzes não servem, e a mesma mensagem vem em figuras pretas em lugar bem visível.
| Marca | Significado | Regra |
|---|---|---|
| Um balão a vante | Fundeado | 30 (a) |
| Três balões em linha | Encalhado | 30 (d) |
| Dois balões em linha | Sem governo | 27 (a) |
| Balão, losango, balão | Capacidade de manobra restrita | 27 (b) |
| Cilindro | Restrito pelo seu calado | 28 |
| Cone com o vértice para baixo | Veleiro com o motor ligado | 25 (e) |
| Dois cones unidos pelos vértices | Empenhado na pesca | 26 (b, c) |
| Losango | Rebocador e reboque com mais de 200 m | 24 (a, e) |
| Bandeira A rígida | Trabalho de mergulho em embarcação pequena | 27 (e) |
As marcas se leem como as luzes: dois balões iguais significam perda total de governo, o balão com losango no meio significa manobra restrita, e o cone fala sempre do motor sob vela.
Sinais sonoros
Apito curto dura cerca de um segundo, apito prolongado de quatro a seis. É a duração que muda o sentido.
Sinais de manobra e de advertência, regra 34
| Sinal | Significado |
|---|---|
| Um curto | Estou guinando para boreste |
| Dois curtos | Estou guinando para bombordo |
| Três curtos | Estou dando máquinas atrás |
| Cinco ou mais curtos | Não entendo suas intenções ou duvido da sua manobra |
| Dois prolongados e um curto | Pretendo ultrapassar por boreste, em canal estreito |
| Dois prolongados e dois curtos | Pretendo ultrapassar por bombordo, em canal estreito |
| Prolongado, curto, prolongado, curto | Concordo em ser ultrapassado |
| Um prolongado | Aproximo-me de uma curva ou de um trecho onde os outros navios não são vistos, advertência |
Sinais de nevoeiro, regra 35
| Sinal de nevoeiro | Quem emite |
|---|---|
| Um prolongado, a cada 2 minutos | Embarcação a motor com seguimento |
| Dois prolongados com cerca de dois segundos de intervalo, a cada 2 minutos | Embarcação a motor parada, sem seguimento |
| Um prolongado e dois curtos, a cada 2 minutos | Vela, pesca, reboque, sem governo, manobra restrita, restrito pelo seu calado |
| Um prolongado e três curtos, a cada 2 minutos | A embarcação rebocada, se tripulada |
| Toque rápido de sino por cinco segundos a cada minuto | Fundeado |
| Três badaladas, sino, três badaladas | Encalhado |
| Quatro curtos, além do seu próprio sinal | Sinal de identificação do navio de praticagem |
Visibilidade restrita, canais estreitos e esquemas de separação
Três situações em que a lógica comum de dar passagem funciona de outro jeito.
Visibilidade restrita, regra 19
No nevoeiro não existe navio com preferência: as regras sobre quem dá passagem não se aplicam e os deveres são mútuos.
Navegue em velocidade segura, máquinas prontas para manobra imediata. Se detectar um navio só pelo radar, decida se há risco e manobre com antecedência, evitando dois movimentos: guinar para bombordo por causa de navio a vante do través, exceto quando o estiver alcançando, e guinar na direção de navio pelo través ou a ré do través.
Se ouvir sinal de nevoeiro a vante do través e não tiver certeza da passagem, reduza à velocidade mínima de governo e, se preciso, pare por completo.
Canais estreitos, regra 9
Mantenha-se tão perto do limite exterior do canal do seu lado de boreste quanto for seguro e praticável.
Embarcação com menos de 20 metros e veleiro não devem atrapalhar navio que só consegue navegar dentro do canal. Não atravesse o canal se isso atrapalhar tal navio. Evite fundear em canal estreito sempre que as circunstâncias permitirem.
Esquemas de separação de tráfego, regra 10
Navegue na faixa no sentido geral do tráfego, entre e saia pelas extremidades e, se entrar pelo lado, faça com o menor ângulo possível.
Atravesse uma faixa, na medida do possível, em rumo perpendicular ao sentido geral do tráfego. Embarcações com menos de 20 metros, veleiros e navios de pesca não devem atrapalhar a embarcação a motor que segue a faixa.
Boias e balizas: o sistema IALA
O balizamento flutuante responde a uma só pergunta: por que lado eu passo. O sentido está na cor, na forma do corpo e no sinal de tope.
Marcas laterais: as bordas do canal
Os lados contam-se pelo sentido convencional do balizamento: em geral do mar para o porto ou para o rio, ou no sentido horário em volta de uma massa de terra. A carta mostra isso com uma seta.
O Brasil está na região B (Américas, Japão, Coreia, Filipinas): entrando no porto, a boia de bombordo é verde cilíndrica e a de boreste é vermelha cônica. Na região A (Europa, África e o resto da Ásia) as cores trocam e as formas ficam: bombordo vermelha cilíndrica, boreste verde cônica. A marca de canal preferencial é o mesmo cilindro ou cone com uma faixa da outra cor: passa-se como uma lateral da cor dominante, e o canal principal fica do outro lado da boia.
Marcas cardinais: onde está a água limpa
A marca tem o nome do lado por onde se passa: a norte passa-se pelo norte e a oeste pelo oeste. O perigo fica do lado oposto.
As cores copiam os cones: duas pontas para cima significa faixa preta em cima (norte), duas para baixo significa preto embaixo (sul), bases juntas significa preto em cima e embaixo (leste), pontas juntas significa preto no meio (oeste). A luz é sempre branca e rápida.
À noite a marca é reconhecida pelo número de lampejos, dispostos como as horas do relógio: leste 3, sul 6, oeste 9, norte 12, ou seja sem pausa. A sul acrescenta um lampejo longo depois dos seis, e é isso que a separa da oeste quando você perde a conta.
Perigo isolado, águas seguras, especiais e novos perigos
- Perigo isolado: preta com faixa vermelha, duas esferas pretas no tope. Fica exatamente sobre um baixio ou pedra cercado de água funda. Passa-se dos dois lados, mas não colado.
- Águas seguras (marca de meio canal): faixas verticais vermelhas e brancas, uma esfera vermelha no tope. Debaixo há profundidade: eixo do canal, ponto de recalada, meio da passagem. Passa-se dos dois lados; na prática, mantendo o seu bordo do canal, ela fica por bombordo.
- Marca especial: amarela, cruz amarela em X no tope. Assinala uma área ou objeto especial: cabos, dutos, áreas de tiro, maricultura, zona de banho. Por si só não proíbe a passagem nem indica perigo à navegação; o regime da área está no roteiro e nas normas locais.
- Novo perigo: faixas verticais azuis e amarelas, cruz amarela reta, luz alternada azul e amarela. Perigo recente ainda não lançado na carta, quase sempre um naufrágio.
Faróis e características das luzes
A luz é identificada pelo ritmo, não pelo brilho. O ritmo está na carta em uma linha.
Como se lê a linha
Fl(2) R 10s 12m 6M lê-se assim: dois lampejos no grupo, luz vermelha, o ciclo repete a cada 10 segundos, a elevação do foco é de 12 metros e o alcance nominal é de 6 milhas. Alcance nominal é o da luz em ar limpo; o alcance geográfico depende da altura do seu olho e costuma ser menor.
Farol é o sinal luminoso de grande porte, com alcance de 10 milhas ou mais, lançado na carta e na Lista de Faróis com posição, característica, elevação e alcance. As luzes acendem ao pôr do sol e apagam ao amanhecer.
| Na carta | Nome | O que se vê |
|---|---|---|
| F | fixa | luz contínua, sem pausas |
| Fl · Lp · Rlp | de lampejos | lampejo curto, mais escuro do que luz |
| Fl(2) · Gp Lp(2) | de grupo de lampejos | dois lampejos e depois pausa |
| Fl(2+1) · Gp Lp(2+1) | de grupo composto | dois lampejos, pausa, um lampejo |
| LFl | de lampejo longo | um lampejo de mais de 2 segundos |
| Q · Ct | cintilante | 50 ou 60 lampejos por minuto |
| VQ · Ct rápida | cintilante rápida | 100 ou 120 lampejos por minuto |
| Iso | isofásica | luz e escuro iguais |
| Oc | de ocultações | mais luz do que escuro |
Luzes de setores e balizas
Onde há perigo o farol mostra cores diferentes em direções diferentes: o setor vermelho é perigo, o verde é o outro lado do canal, o branco é a aproximação segura. A cor muda ao cruzar o limite do setor, e essa mudança é a ordem de guinar.
Balizas luminosas são a mesma coisa em tamanho menor. Balizas cegas e pontos notáveis servem para a posição de dia, e ao lado pode haver um sinal de nevoeiro.
As abreviaturas internacionais convivem com as formas em português: Lp (lampejos) no Brasil e Rlp (relâmpagos) em Portugal no lugar de Fl, Ct (cintilante) no lugar de Q, Gp para o grupo, e as cores em letra portuguesa: B branca, V vermelha, Vd verde. Numa carta antiga a mesma luz aparece como Gp Lp(2) V 10s.
Marés e correntes de maré
No Sul e no Sudeste do Brasil a maré é de algumas dezenas de centímetros, no Norte e no Nordeste passa de seis metros: o mecanismo e a conta caem em qualquer prova.
Sizígia e quadratura
Na lua nova e na lua cheia o Sol, a Terra e a Lua ficam alinhados, as forças somam e as marés são as maiores: marés de sizígia (spring tides). No primeiro e no terceiro quarto a Lua fica em ângulo reto, as forças subtraem e as marés são as menores: marés de quadratura (neap tides). Entre umas e outras passam cerca de 7 dias.
Quanto mais fechado o mar, menor a maré: dezenas de centímetros no Mediterrâneo, metros no oceano aberto. Na costa brasileira a diferença é enorme: perto de 1,5 metro em Santos e mais de 6 metros em São Luís.
Regra dos doze avos
A água não sobe por igual, segue uma senoide. Entre preia-mar e baixa-mar passam cerca de seis horas e a amplitude divide-se assim: 1/12 na primeira hora, depois 2/12, 3/12, 3/12, 2/12, 1/12. Metade da água chega nas duas horas do meio.
A profundidade naquele momento é a profundidade da carta (medida do nível de redução, o zero hidrográfico da carta) mais a altura da maré. A folga sob a quilha é outra coisa: dessa profundidade se descontam o calado e uma margem de segurança.
Correntes de maré
A onda de maré cria uma corrente que muda quatro vezes por dia. A enchente vai para a costa, a vazante para o mar. Na preia-mar e na baixa-mar a velocidade é quase zero, o máximo fica no meio do caminho.
Fundeado isso significa girar 180 graus quatro vezes por dia, a cada inversão da corrente: escolha lugar com raio livre e profundidade de sobra para a baixa-mar.
Tempo: frentes, nuvens, ventos locais
A previsão você vê para amanhã, o céu você lê agora: nuvens e barômetro avisam antes do aplicativo.
A carta sinótica
A carta do tempo traz isóbaras (linhas de igual pressão), frentes e áreas de pressão. Quanto mais juntas as isóbaras, mais forte o vento. H é alta pressão, geralmente céu limpo; L é baixa, nuvens e chuva. O vento vai da alta para a baixa.
O principal sinal de mudança é a tendência barométrica, a variação de pressão em três horas. Queda rápida significa vento chegando rápido.
Ciclone e anticiclone: para que lado gira o vento
Ciclone é uma área de baixa pressão (L). No hemisfério norte o vento gira nele no sentido anti-horário e converge para o centro. Tempo: nebulosidade, chuva, vento fresco e mudança de direção na passagem das frentes.
Anticiclone é uma área de alta pressão (H). No hemisfério norte o vento gira no sentido horário e diverge do centro. Tempo: céu limpo, vento fraco, calor no verão e nevoeiro no inverno.
No hemisfério sul tudo se inverte: no ciclone o giro é horário, no anticiclone é anti-horário. A costa brasileira fica no hemisfério sul, Portugal e o Mediterrâneo no norte, então veja primeiro em que hemisfério você navega.
O cavado é uma língua alongada de baixa pressão que sai do ciclone, a crista é a mesma língua de alta pressão que sai do anticiclone. Na passagem do cavado o vento muda de direção de repente.
Frente quente e frente fria
Quando a frente fria alcança a quente forma-se a frente oclusa: tempo misturado que muda depressa.
| Frente quente | Frente fria | |
|---|---|---|
| Velocidade | cerca de 25 km/h | cerca de 40 km/h, alcança a quente |
| Nuvens | cirros e depois estratos e nimbostratos | cumulonimbos, torre vertical |
| Chuva | garoa longa em faixa de 300 a 400 km | aguaceiro curto com trovoada, 50 a 70 km |
| Sinais | esquenta, pressão cai | queda de 5 a 10 graus, pressão sobe |
| Duração | um ou dois dias | horas |
Nuvens
Três andares. Altas cirros (cirrus) de cristais de gelo: primeiro aviso da frente quente com um dia de antecedência. Médias altostratos (alto) entre 2 e 6 km. Baixas estratos (stratus) e cúmulos (cumulus) abaixo de 2 km.
À parte fica o cumulonimbo (cumulonimbus): torre vertical com bigorna. Debaixo dela há rajada, trovoada e às vezes granizo. Viu essa torre no rumo, rize com antecedência.
Ventos locais
Brisa: de dia a terra esquenta mais rápido que a água, o ar quente sobe e entra ar do mar. Alcance de cerca de 10 milhas da costa, das 10:00 às 17:00 aproximadamente, força até 15 nós. À noite inverte e sopra da terra para o mar.
Vento catabático: ar frio que à noite desce das montanhas altas para o mar. Alcance de cerca de 2 milhas da costa. As rajadas normais são de 40 a 60 nós e em algumas regiões chegam a 100. É por isso que não se fundeia colado a uma falésia alta.
Vento real e vento aparente
O vento real (TWS a força, TWD a direção) é o vento sobre a água. O aparente (AWS, AWA) é o que o barco sente em movimento: o real somado ao fluxo de proa criado pela própria marcha.
No cais os dois coincidem. Em movimento o aparente roda sempre para mais perto da proa e à bolina parece mais forte, nos rumos de popa parece mais fraco. Por isso o piloto automático de vento mantém o ângulo pelo aparente, enquanto a previsão fala sempre do real.
Rádio, fundeio, homem ao mar
A prova não mede eloquência, mede ordem: qual canal, quais palavras, em que sequência.
VHF e canais
Potência de 1 ou 25 watts e alcance que depende da altura da antena, normalmente dezenas de milhas. Três níveis de mensagem: MAYDAY (risco de vida), PAN-PAN (urgência sem risco de vida), SÉCURITÉ (segurança: tempo, aviso). O sistema todo é o GMDSS: a chamada seletiva digital (DSC) vai pelo canal 70 e identifica o barco pelo número MMSI.
| Canal | Para quê |
|---|---|
| 16 | socorro, urgência e chamada, escuta permanente |
| 70 | chamada seletiva digital, proibido falar |
| 06 | navio a navio e embarcações de salvamento |
| 13 | passadiço a passadiço, segurança da navegação |
| 09, 67, 72, 73, 77 | canais de trabalho, marinas e tráfego não comercial |
MAYDAY: a ordem das palavras
MAYDAY três vezes e depois, em ordem: nome do barco três vezes e indicativo, posição (coordenadas ou marcação e distância de um ponto conhecido), o que aconteceu, que ajuda é preciso, quantas pessoas a bordo, informação extra e a palavra Over.
Cancelar um alerta falso é obrigatório e diz-se assim: Mayday, All stations três vezes, aqui (nome do barco, indicativo, número MMSI), cancel my distress alert of (hora em UTC). Se você ouve um MAYDAY que a estação costeira claramente não ouve, retransmite como MAYDAY RELAY.
Alfabeto fonético
Nome do barco, indicativo e posição passam-se letra a letra: no ar ninguém distingue bê de dê. O alfabeto é internacional e é o mesmo que os operadores das marinas usam.
| Letra | Palavra | Como se fala | Letra | Palavra | Como se fala |
|---|---|---|---|---|---|
| A | Alfa | álfa | N | November | novêmber |
| B | Bravo | brávo | O | Oscar | óscar |
| C | Charlie | chárli | P | Papa | papá |
| D | Delta | délta | Q | Quebec | quebéc |
| E | Echo | éco | R | Romeo | rômio |
| F | Foxtrot | fóxtrot | S | Sierra | siérra |
| G | Golf | gólf | T | Tango | tângo |
| H | Hotel | hotél | U | Uniform | iúniform |
| I | India | índia | V | Victor | víctor |
| J | Juliett | djúliet | W | Whiskey | uísqui |
| K | Kilo | kílo | X | X-ray | écs-rei |
| L | Lima | líma | Y | Yankee | iânqui |
| M | Mike | máique | Z | Zulu | zúlu |
Fundeio
O lugar escolhe-se por quatro coisas: abrigo segundo a previsão de amanhã, profundidade regular sem degraus, o fundo (areia boa, pedra e coral ruins) e ausência de cabos e dutos na carta.
Amarra de pelo menos cinco vezes a profundidade. Sobe-se contra o vento, tira-se o seguimento, larga-se a âncora e vai-se filando amarra em marcha a ré para ela deitar no fundo em vez de amontoar debaixo do barco. Depois ré até 2000 rotações: se as marcas em terra não se movem, a âncora agarrou. No fim, luz de fundeio acesa e alarme de âncora ligado.
Ao suspender: vai-se até a âncora para a amarra ficar vertical e recolhe-se. Se o som do molinete mudar, pare: a amarra está sob o barco ou a âncora enganchou.
Homem ao mar
A manobra decora-se assim mesmo: gritar homem ao mar, jogar a boia ferradura com o seu flutuador, nomear um vigia que não tira os olhos e aponta com o braço, apertar MOB no plotter, voltar e aproximar por sotavento em marcha lenta. No rádio isso é um MAYDAY com as palavras homem ao mar.
Dois nós que a prova cobra
Nó de laís de guia: alça firme na ponta do cabo que não corre nem aperta. Aguenta a carga e desata-se depois dela. É com ele que se passa um cabo a quem caiu na água, se prende a escota e se faz a alça para o cunho.
Nó de defensa: prende a defensa ao balaústre do guarda-corpo de forma que a altura se ajusta com uma mão só e o nó não escorrega para baixo com o atrito no costado.
Comandos com os cabos
Para dentro: tesar (retesar até o limite, no guincho se for preciso), caçar (puxar um pouco mais do que está agora), cobrar a folga (tirar a barriga do cabo sem guincho), fixar (prender no cunho ou no mordente mantendo a tensão).
Para fora: folgar (dar cabo até a tensão chegar a zero), aliviar (afrouxar um pouco), segurar (travar a corrida do cabo com uma volta de atrito no cunho), largar (soltar por completo).
Os números pedidos de cor
Uma dúzia de números cobre quase todas as perguntas de memória.
| Número | Do que se trata |
|---|---|
| 112,5° | Setor de cada luz de bordo |
| 225° | Setor da luz de mastro |
| 135° | Setor da luz de alcançado |
| 22,5° | A ré do través: limite do alcance e borda do setor da luz de mastro |
| 6 milhas | Luz de mastro de navio de 50 m ou mais |
| 5 milhas | Luz de mastro de navio de 12 a 50 m (3 milhas abaixo de 20 m) |
| 3 milhas | Luzes de bordo e de alcançado de navio de 50 m ou mais |
| 2 milhas | Luzes de bordo de 12 a 50 m, alcançado e todo horizonte abaixo de 12 m |
| 1 milha | Luzes de bordo de embarcação com menos de 12 m |
| 7 m | Até este comprimento e 7 nós basta uma branca em todo o horizonte |
| 12 m | Abaixo deste comprimento valem as facilidades de luzes e sinais |
| 20 m | Abaixo deste comprimento não se deve atrapalhar em canais e faixas |
| 50 m | A partir deste comprimento a segunda luz de mastro é obrigatória |
| 100 m | A partir deste comprimento entra o gongo a ré, fundeado e encalhado |
| 200 m | Comprimento do reboque que exige terceira luz de mastro e losango |
| 2 minutos | Intervalo dos sinais de nevoeiro em movimento |
| 1 minuto | Intervalo dos sinais fundeado e encalhado |
| 120 por minuto | Frequência mínima de uma luz de lampejos |
Resumo das mnemônicas
Tudo o que vale decorar palavra por palavra em uma lista: lê-se em um minuto antes da prova.
- Sem Governo, Manobra Restrita, Calado, Pesca, Vela, Motor: a escada de cima para baixo.
- Vermelho para, verde passa: a luz vermelha dele quer dizer que você dá passagem.
- Vermelha sobre vermelha, o navio não governa.
- Branca sobre vermelha, o prático sobe a bordo.
- Vermelha sobre branca, a rede está embaixo.
- Vermelha sobre verde, vela no vento.
- Balão é parada: um fundeado, três encalhado.
- Cone para baixo, motor sob vela.
- Um curto para boreste, dois curtos para bombordo, três curtos atrás, cinco curtos não entendo.
- No nevoeiro nunca para bombordo.
- Na dúvida você está alcançando, então dá passagem.
Depois feche o ciclo: veja os esquemas de luzes, ouça os sinais e fixe com os cartões. O treinador tem três modos: revisão, verificação e prova de vinte perguntas.
As 38 regras, cada uma com a sua página
- Regra 1 Onde as regras valem
- Regra 2 Responsabilidade e o direito de se afastar das regras
- Regra 3 Quem é chamado de quê
- Regra 4 Esta seção vale em qualquer visibilidade
- Regra 5 Vigilância
- Regra 6 Velocidade segura
- Regra 7 Risco de abalroamento
- Regra 8 Como manobrar para ser entendido
- Regra 9 Canais estreitos
- Regra 10 Esquemas de separação de tráfego
- Regra 11 Quando esta seção se aplica
- Regra 12 Veleiro contra veleiro
- Regra 13 Navio que alcança
- Regra 14 Situação de proa com proa
- Regra 15 Situação de cruzamento
- Regra 16 Manobra do navio que dá passagem
- Regra 17 Manobra do navio que mantém o rumo e a velocidade
- Regra 18 Deveres entre navios
- Regra 19 Conduta dos navios em visibilidade restrita
- Regra 20 Quando cada coisa é exibida
- Regra 21 Que luzes existem
- Regra 22 A que distância as luzes devem ser vistas
- Regra 23 Luzes do navio de propulsão mecânica em movimento
- Regra 24 Reboque e empurra
- Regra 25 Navios a vela e embarcações a remo
- Regra 26 Navios de pesca
- Regra 27 Sem governo, manobra restrita, mergulho, varredura de minas
- Regra 28 Restrito pelo seu calado
- Regra 29 Embarcações de praticagem
- Regra 30 Fundeado e encalhado
- Regra 31 Hidroaviões e veículos de efeito de solo
- Regra 32 O que é curto e o que é prolongado
- Regra 33 Que equipamento deve haver a bordo
- Regra 34 Sinais de manobra e de advertência
- Regra 35 Sinais sonoros no nevoeiro
- Regra 36 Sinais para chamar atenção
- Regra 37 Sinais de socorro
- Regra 38 Quem teve prazo e de quanto